Os Sem terra que estão acampados na PB 391 a cerca de 4 km de Uiraúna realizaram na manhã dessa sexta a primeira manifestação, fechando o chamado 'abril vermelho'.
Eles queimaram pneus, paus secos e mato verde o que causou uma grande nuvem de fumaça e impediu que carros e motos seguissem viagem em ambos os sentidos.
| Protesto chamou a atenção da sociedade |
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A coordenadora do movimento disse que o protesto é de âmbito nacional e outras rodovias também estavam interditadas pelo MST. Ela falou ainda que as autoridades precisavam olhar para a situação deles, pois estavam reivindicando materiais como lona e cestas básicas.
A passagem de ambulâncias e veículos com pessoas doentes era concedida pelos manifestantes. Mesmo assim, alguns motoristas que tentavam seguir viagem, mas foram impedidos, reclamavam da situação.
O tenente Hugo do Nascimento ainda tentou negociar como o movimento para que fosse aberta parcialmente, mas os Sem Terra se negaram a abrir passagem. A rodovia só foi liberada por volta das 14h00.
Em Uiraúna
São cerca de 1500 pessoas cadastradas no acampamento. De acordo com Neto Barbosa, do setor de comunicação do MTS da Paraíba, os Sem Terra daqui estão reivindicando ao INCRA a desapropriação de três fazendas da região: a Fazenda Rio do Peixe, que tem 900 hectares de terra, a Fazenda Valparaíso, com 1,5 mil hectares e a Fazenda Canadá, com 700 hectares. Eles disseram que pretendem ficar no acampamento até conseguirem as desapropriações.
Em conversa conosco na manhã desse sábado, a coordenadora estadual do MST, Cícera Soares, disse que a manifestação foi realizada a nível estadual e várias estradas na Paraíba foram também fechadas. O MST tinha como objetivo pressionar uma equipe do INCRA que estava na Capital João Pessoa negociando com o Movimento dos Sem Terra.
Sobre as fazendas que eles querem a desapropriação, Cícera falou que o pedido já foi encaminhado ao INCRA e agora eles estão aguardando os trâmites legais. Ela falou ainda que o governo federal deve mandar uma equipe de técnicos para avaliar as terras e em seguida tem um longo processo até que as fazendas sejam consideradas improdutivas e ideais para a reforma agrária.