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Porque a felicidade não cabe no Instagram

LUAN BARBOSA  |  03/04/2017
noticia Porque a felicidade não cabe no Instagram
noticia Porque a felicidade não cabe no Instagram

É sábado à noite, estou pronto para encontrar os amigos no barzinho da vez. Marcamos de
tomar umas cervejas e reclamar do quanto a semana foi cansativa, como o trabalho e todas
as responsabilidades da vida adulta têm sido desgastantes.

Sou o primeiro a chegar, como sempre fui. Aos poucos eles vão preenchendo a longa mesa
e pedindo suas bebidas. O começo é a melhor parte. A gente se abraça, pergunta dos
novos planos, dos antigos medos. Mas de repente, como que programado, alguém saca
primeiro o celular do bolso. Vamos tirar uma foto. Vamos!

Registramos o momento e tentamos retomar o ciclo de conversa. Mas parece que há algo
mais interessante em nossos smartphones. Alguém falou algum babado, alguém ainda não
achou o filtro perfeito com a legenda perfeita para nossa foto. É preciso escolher o filtro e a
legenda certa para legitimar aquele momento. Não é?

E então o silêncio paira e vê-se apenas luzes projetadas nas nossas caras. Alguém saca o
carregador e procura uma tomada próxima. Ou, bem prevenido, apenas tira o carregador
portátil da bolsa.

À certa altura as conversas já são ralas e resumem-se, sobretudo, em balançadas de
cabeças ou “anham”, “foi”, “é”. Até alguém irromper o silêncio com um “olha quem curtiu
nossa foto”. E aí você já está frustrado, sua noite já acabou, mas, de acordo com o
Instagram, ela está bombando.

Pergunto-me quando deixamos de tentar fazer acontecer na realidade para recortar e colar
no virtual. Nossas vidas são tão perfeitas. Somos todos tão amigos, felizes e bem
sucedidos. Mas são recortes. Os momentos tristes, decepcionantes e arrasadores não
cabem nos enquadros do Instagram. Eles são expostos em rodas de amigos, na mesa do
bar. Ou costumavam ser. Há um efeito nostálgico nestes momentos que são insubstituíveis.
Ou pelo menos havia...

O ponto é: a felicidade é complexa demais pra caber em um frame, em um filtro e um
aplicativo. Todos os sentimentos são. Mas insistimos porque nos medimos por likes. Eu
curto, logo existo. E provavelmente estou falando sozinho agora enquanto aguardo o
garçom, distraído com o celular, trazer minha bebida. É hora de ir pra casa.

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