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Literatura: o que se faz, se paga!

ROMÁRIO TAVARES  |  14/04/2017
noticia Literatura: o que se faz, se paga!
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Século XIX, Rússia, São Petersburgo (Capital), clima frio, tempo perfeito para quem procura se amargurar em problemas individuais e sociais.

Quem nunca se abateu com uma síndrome de inferioridade? Quem nunca se sentiu destruído?  Ou melhor, quem nunca questionou sua própria existência? Se nunca passou por isso, parabéns, sua vida é uma ficção digna de um cinema hollywoodiano. Ou quem sabe, só viva em uma Matrix (realidade virtual). 

Para sair desse mundo real, qual o caminho se não esmagar o outro? Um sentimento constante da necessidade de se impor frente ao semelhante. Vida anônima nas ruas de São Petersburgo (ou em qualquer região outra urbana), esmagado, cotidianamente, pelos esbarros nos ombros de pessoas que circulam as ruas dessa cidade violenta e inquieta.

Sentimento de ódio, revolta, dor, fracasso e desilusão. Nem mesmo a sua base familiar está segura, corre risco de um assalto a sua estabilidade. A ruina do seu fracasso não te leva só para cova, esse pensamento se faz criar um monstro antes aprisionado pelo sentimento de acomodação.

Essa motivação de preocupação pelo próximo é a mesma que te arruinará mais ainda.  Não se importará tanto no momento, agora é viável ser grande, extraordinário e de gigante impiedade, quem melhor para a válvula de escape se não a imagem e semelhança daquela que castiga. 

Matará quem te aprisiona financeiramente, matará quem maltrata uma boa pessoa e matará para resolver todos os seus problemas. Não se deve importar tanto com isso, uma velha maldita, agiota, rabugenta, que violenta a sua sobrinha e que ainda me cobra o que não posso pagar, sua morte me provera dinheiro (do meu furto em sua casa), sua morte libertará sua sobrinha, sua morte livrará minha irmã de um casamento com um homem pervertido a quem ela não ama. 

Tudo perfeito, tudo planejado, a chave para abertura da felicidade, não há saída mais perfeita que essa para o ser grandioso da alma, purificado pelo sangue daquela que representa todo mal em nossas vidas, tanto minha, como da minha irmã e daquela pobre menina.   

É a hora da execução do crime que mudará a vida não somente minha, mas de todos que me rodeiam. Por um momento, o ato egoísta de tira uma vida se perde no lado generoso de uma morte que liberta. Não pode ser simples, vai ser simbólico, nunca saberemos quem é, tem muitos intrigados (e um sou eu) por dívidas e por maus tratos.

Merecedora de machadadas, a cada jorrada de sangue um prazer incontrolável. O fim, me volto agora para concluir todo o plano, de presente vejo a pobre menina como espectadora daquele ato insano, não penso, executo-a como se fosse um animal para o abate (Não é necessário afirma que nenhum crime é merecedor de testemunhas, só a espaço para cumplices, mas nem para isso tive tempo para pensa, talvez a pureza daquela menina não a permitisse).

Mas é inevitável não pensar, qual significado agora esse crime teria, se as suas justificativas começam a ser destruídas. Não foi como eu pensei, não aconteceu o que esperava, não era esse meu desejo. Matei algo que vai além da minha vontade.
  
Final da história? Só lendo clássico da literatura russa “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoievski.

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