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Herói de Uiraúna

Ele sempre comparecia na hora da dor e tinha forma peculiar de atendimento, com presteza e o máximo de atenção e compreensão, servindo a todos sem imposição de condições
ADALMIR FERNANDES  |  17/04/2017
noticia Herói de Uiraúna
noticia Herói de Uiraúna

Com base no acompanhamento que fiz do importante trabalho realizado por Bonifácio Fernandes, farmacêutico prático de excelente qualidade, até os meus 17 anos, quando deixei Uiraúna (PB) no início dos idos de 1966, confesso meu apreço e minha gratidão à sua pessoa, por ter presenciado o quanto ele compreendia como ninguém a dimensão da ansiedade do seu semelhante, sempre quando ele mais precisava da sua presença, como verdadeiro médico da família.

Ele sempre comparecia na hora da dor e tinha forma peculiar de atendimento, com presteza e o máximo de atenção e compreensão, servindo a todos sem imposição de condições, nem mesmo financeiras, porque para ele o que importava mesmo era sentir-se realizado em poder prestar assistência ao seu próximo, com boa vontade e muita disposição.

Com toda certeza, qualquer homenagem que se pretenda dedicar a Bonifácio representa apenas o merecido reconhecimento a uma pessoa muito especial, cujo gesto tem apenas o propósito de agradecimento, por parte daqueles que foram atendidos por suas mãos abençoadas e caridosas e tiveram a felicidade de ter convivido com ele e de ter sido beneficiados pela sua magnânima bondade.

Seguindo essa linha de pensamento, há pouco tempo eu publiquei meu 19º e o dediquei a Bonifácio, como homenagem e prova da minha amizade e do meu reconhecimento à sua importância social e também do meu eterno preito de gratidão, pela bondade prestada por ele à minha família (em especial), aos uiraunenses e à população de cidades vizinhas.

Trata-se de homenagem que sempre faço nos meus livros às pessoas queridas e merecedoras de reconhecimento público, que meu coração as tem como preciosidade da minha existência e merecem o meu sincero reconhecimento, motivo pelo qual faço questão de dedicar meu trabalho literário a elas, como forma de sincera homenagem.

Para quem não teve a oportunidade de ler a aludida dedicatória, aproveito o ensejo para transcrevê-la a seguir:

"DEDICATÓRIA

Eu dedico este livro, com gratidão e muita satisfação, à memória do saudoso amigo Bonifácio Fernandes, por ele ter sido exemplo de ser humano, que soube amar seu semelhante, no extremo da expressão deste verbete, tendo se dedicado diuturnamente à prática de farmacêutico amador, com a maior competência somente comparável aos melhores médicos atuantes nas cidades do interior, cujos atendimentos aos doentes e necessitados sempre se processavam com as máximas espontaneidade, competência e bondade, satisfazendo plenamente as carências dos serviços médicos de então, que eram supridos normalmente por meio da sua voluntariedade e do seu coração bondoso que a todos atendia com muita eficiência e eficácia, motivo pelo qual a importância do seu incansável trabalho é lembrada e enaltecida pelos uiraunenses que tiveram as bênçãos de Deus de terem sido atendidos por aquele que fez com muito amor divinal às vezes de médico operoso, sem nunca ter estudado medicina, mas ele foi certamente responsável pelo lenitivo de sofrimentos e salvamento de vidas humanas."

Quando tomou conhecimento da citada mensagem, Vescijudith, filha de Bonifácio, a agradeceu, dizendo que “... Realmente, ficou linda sua dedicatória. Você estava muito inspirado...”.

Em resposta, eu disse a ela que “... eu quis apenas demonstrar, com palavras, o meu sentimento pelo inesquecível Bonifácio, que se transformou em verdadeiro exemplo para as pessoas de minha infância...fico também muito feliz e emocionado em saber que meu gesto agrada o sentimento de pessoas queridas... mesmo porque se trata de justa homenagem a pessoa que fez por merecê-la, que poderia até ter sido mais ampla, embora eu tenha ido além do padrão adotado nos demais livros já publicados.”.

Em seguida Vescijudith escreveu para mim o seguinte texto: “Nossa! Seu gesto me fez chorar de alegria, de saudade, de uma explosão de sentimentos bons. Agradeço imensamente sua consideração e reconhecimento. Meu Pai, realmente, foi uma pessoa do bem, que nos deixou esse legado de amor ao próximo. Está linda a dedicatória, perfeita!...”.

Agora, por ocasião do recebimento do livro em apreço, Vescijudith me mandou a seguinte mensagem: “Recebemos seu livro Fatos em Crônicas e lhe agradecemos por tamanha consideração e apreço que você tem à nossa família, especialmente dedicado a nosso Bonifácio. Ficamos emocionados com suas palavras, mas, sobretudo, com seu gesto. É uma injeção de ânimo para seguir os ensinamentos que ele nos deixou para a prática do bem; empregar nossos conhecimentos, nossa vocação aos mais necessitados. Muitos chegavam tristes, doentes e tomavam doses não só dos medicamentos em si, senão de alegrias com seus contos e anedotas. Por oportuno, lhe parabenizamos por essa valiosa obra, composta de textos que remete aos problemas enfrentados por nosso povo, nosso País. Que o Divino Espírito derrame sobre você os sete dons e, assim, cumpra essa linda missão de escrever, informar e colaborar para um mundo fraterno.”.

A minha resposta foi escrita nestes termos: “Ficou muito feliz em saber que meu sentimento (eternizado em poucas palavras) de gratidão a pessoa maravilhosa possa ter ressoado com as melhores interpretações, a justificar o real sentido do que eu disse sobre ela com toda sinceridade d'alma. O legado de Bonifácio é tão majestoso que encheria muitos livros e ainda faltaria espaço para dizer o quanto ele soube amar o seu próximo. Esta é minha visão sobre o querido Bonifácio de minha infância, que tanto demonstrava amor à sua profissão, sempre colocada a serviço de seu semelhante. Também fico honrado pelo reconhecimento sobre as minhas crônicas, que as faço com o melhor propósito de transmitir um pouco de minha experiência de vida...”.

Em razão do compartilhamento da dedicatória em tela na página da internet de Vescijudith, acompanhada de agradecimento, eu pus a mensagem a seguir:  “... com toda sinceridade, sinto-me honrado em ter a oportunidade de homenagear uma pessoa que recebeu de Deus uma das mais nobres missões nesta terra, que foi de sentir e tratar a doença de seu semelhante. Sinto-me muito feliz de saber que minha mensagem retrata um pouco do ser humano de Bonifácio - que compreendia seu semelhante de corpo e alma, porque a dor é tudo isso - e põe em evidência as suas maravilhosas qualidades de pessoa que merece toda gratidão e isso eu procurei fazer com muita sinceridade e autenticidade.”.

À luz de tudo que foi dito sobre o querido homenageado, na minha visão humanitária, e tendo em vista o conjunto de tão magnífica obra social empreendida, Bonifácio merece ser considerado autêntico “Herói de Uiraúna”, como forma de ter seu trabalho reconhecido e valorizado por todos aqueles que tiveram a sorte de contar com a sua assistência médico-farmacológica de notória qualidade e de presteza inigualáveis, que seriam capazes de operar verdadeiros milagres, diante das precárias condições da época, quando praticamente se dispunha de mínimos recursos adequados ao atendimento da sua profissão, principalmente se comparados aos avanços científico e tecnológico da atualidade.

O reconhecimento público do importante legado da pessoa precisa ser demonstrado em ato público, para que sua história deva ser preservada em um “Panteão Simbólico” e o seu feito seja sempre enaltecido e disseminado nas escolas, nas repartições públicas e especialmente nos momentos cívicos, como forma de sublinhar as qualidades marcantes de todos aqueles que prestaram relevantes serviços ao interesse público, como no caso de Bonifácio, que seria, a meu ver, o primeiro a ser homenageado, entre tantos que deram a sua contribuição em benefício da comunidade, a exemplo de Zéu Fernandes, que conseguia fazer funcionar e gerar energia, em condições precárias, o motor para iluminar a cidade, e tantos outros ilustres uiraunenses que são igualmente merecedores de reconhecimento público, como bons exemplos a serem seguidos pelas gerações que os sucederam.

Diante desse contexto de indiscutível necessidade de se resgatar o legado de notória importância para história político-social de Uiraúna, concito os homens públicos dessa cidade a concederem o título de “Herói de Uiraúna” a Bonifácio Fernandes, pioneiro e emérito farmacêutico prático da cidade, cujo ato tem por finalidade enaltecer a grande relevância de seu profícuo trabalho em benefício da população, como forma de servir de modelo de pessoa responsável, competente, atenciosa, amorosa etc., que dedicou sua vida à prática do bem comum e do amor ao próximo.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES                  

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