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Contabilidade de fraude a concursos era escondida em diário bíblico

Livro era usado como disfarce para dados financeiros do esquema que aprovou mais de 500 pessoas
Fábio Barbosa  |  16/05/2017 17:17
noticia Contabilidade de fraude a concursos era escondida em diário bíblico
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O grupo suspeito de fraudar pelo menos 70 concursos públicos e vestibulares em vários estados brasileiros, desarticulado na Operação Gabarito, da Polícia Civil da Paraíba, utilizava um diário bíblico para anotar informações acerca da contabilidade do esquema criminoso. A informação foi confirmada nesta terça-feira (16) pelo delegado Lucas Sá, responsável pela investigação.

O esquema lucrou pelo menos R$ 18 milhões e aprovou mais de 500 pessoas em concursos e vestibulares, segundo a Polícia Civil. Até a sexta-feira (13), 25 pessoas foram presas, sendo 19 no dia 7 e outras seis na sexta-feira, além de 11 veículos apreendidos e muitos documentos e equipamentos eletrônicos.

De acordo com a polícia, a esposa de um dos irmãos apontados como chefes do grupo era a pessoa responsável por toda a parte financeira das fraudes. Dentro da agenda bíblica constavam anotações de vários dados acerca de valores pagos para integrantes do grupo, incluindo um comprovante de cheque bancário.

O diário bíblico foi apreendido junto com outros materiais e documentos dentro da casa que funcionava como base do grupo, em um condomínio de luxo de João Pessoa, quando foi deflagrada a primeira fase da operação, no dia 7.

'Kits de aprovação' em concursos

“A suspeita era responsável por fazer os repasses dos valores da venda dos ‘kits completos de aprovação’ para os integrantes da organização e utilizava o diário como disfarce da contabilidade do esquema, tanto para passar despercebido no transporte do material quanto num caso de eventual busca ou apreensão”, explica o delegado.

Segundo o delegado, os “clientes” do grupo eram contatados principalmente em cursinhos e por meio redes sociais. “São muitas as maneiras, mas as principais são pelo Facebook, WhatsApp e indicação de pessoas de cursinhos. Vários dos presos são professores de cursinho. Então eles acabam indicando a organização para os alunos desses cursos e fazendo a proposta de ingressar no esquema fraudulento”, disse o delegado.

Entenda o caso

As fraudes começaram em 2005, e mais de 500 pessoas já foram beneficiadas com o esquema em pelo menos 70 concursos. Os suspeitos cobravam, em média, o valor correspondente a 10 vezes o salário inicial do cargo pleiteado. A venda do ‘kit completo de aprovação’ custava até R$ 150 mil. Em 12 anos, o valor acumulado pelo grupo com o esquema já passa de R$ 21 milhões, segundo Lucas Sá.

Ao todo, 25 pessoas já foram presas na operação, que investiga a participação de pelo menos 70 pessoas no grupo. A primeira etapa aconteceu no dia da realização das provas do concurso do Ministério Público do Rio Grande do Norte, quando 19 pessoas foram presas em flagrante tentando fraudar o concurso com pontos eletrônicos. Os outros seis suspeitos foram presos na sexta-feira (12), durante a segunda etapa da operação.

G1

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