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Não renunciarei, diz Temer após delação da JBS

Em pronunciamento no Planalto, Temer nega que tenha incentivado pagamentos a Cunha e diz que exige investigação "plena e rápida"
Fábio Barbosa  |  18/05/2017 17:28
noticia Não renunciarei, diz Temer após delação da JBS
noticia Não renunciarei, diz Temer após delação da JBS

Michel Temer disse nesta quinta-feira 18 que não irá renunciar ao cargo de presidente República. "Não renunciarei", afirmou em pronunciamento no Palácio do Planalto, recebendo poucos aplausos.

O discurso ocorre após o vazamento da delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS. Segundo informações do jornal O Globo, Temer foi gravado dando aval a Batista para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A gravação foi feita em ação conjunta da Polícia Federal com a Procuradoria-Geral da República. Temer nega.

"Repito e ressalto: em momento nenhum autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém por uma razão singela: não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro especial e nada tenho a esconder. Sempre honrei meu nome e nunca autorizei que utilizasse meu nome indevidamente", afirmou.

Nesta quinta-feira 18, a PGR enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito para investigar Temer por obstrução à Justiça e corrupção. Edson Fachin, do STF, acatou o pedido. O presidente afirmou que solicitou o conteúdo das gravações, mas disse que seu pedido ainda não foi atendido. Ao final de seu discurso, o peemedebista pediu celeridade nas investigações.

"Quero registrar que a investigação pedida pelo STF será território onde surgirão todas as explicações. No STF mostrarei não ter envolvimento com esses fatos. Não renunciarei", afirmou.

"Desejo investigação plena e rápida. Essa situação de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidos nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações", concluiu. Apesar do presidente classificar as gravações como "clandestinas", elas foram feitas com o aval da PF e da PGR.

VEJA O PRONUNCIAMENTO

Reformas

Temer disse ainda que, apesar do escândalo, a semana foi boa para a economia do País e fez um apelo pela continuidade das reformas.

"Quero deixar muito claro que o meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números da economia e os dados de geração de emprego criaram esperança de dias melhores e as reformas avançavam no Congresso", disse.

"Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma da crise política. Todo o imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. Não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País."

UOL

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