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Associação encontra irregularidades em carnes e mortadelas de cinco marcas

A associação enviará os resultados ao Ministério da Agricultura requerendo aumento da fiscalização
Fábio Barbosa  |  21/06/2017 07:17
noticia Associação encontra irregularidades em carnes e mortadelas de cinco marcas
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A Proteste - Associação de Consumidores encontrou substâncias irregulares em carnes da Friboi, Frialto e Montana e nas mortadelas Cerrati e Confiança. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira  (19), pela entidade. Entre as substâncias estão aditivos para conservação e outras que indicam deterioração dos produtos.

A Proteste constatou a presença de nitrato em cortes de contrafilé Friboi JBS e nas picanhas Frialto e Montana. Segundo a entidade, esse aditivo é empregado nos produtos cárneos com o objetivo de melhorar o aspecto e prevenir o crescimento microbiológico, além de atuar como um antioxidante, ou seja, atua aumentando o tempo de conservação desses produtos.

O uso dessa substância, no entanto é restrito a carnes processadas e embutidas – e, ainda assim, dentro de um certo limite, já que acima dele, cogita-se que o nitrato dê origem a componentes tóxicos e até cancerígenos. Apesar de a quantidade estar dentro do limite seguro para consumo humano, "nas carnes frescas e congeladas, como é o caso das citadas, sua utilização é proibida", diz nota da associação.

Segundo a Proteste, esse aditivo pode estar sendo usado pelas empresas para encobrir falhas no processamento do alimento ou alteração na qualidade do produto.

Nas mortadelas foi constada a presença de peróxidos acima do esperado. "Como são os primeiros compostos que se formam quando uma gordura se deteriora, esse resultado demonstra que os produtos não estavam bem conservados e apresentavam algum tipo de deterioração, estando, por exemplo, rançosas", diz a Proteste.

A associação enviará os resultados ao Ministério da Agricultura requerendo aumento da fiscalização, bem como a retirada do mercado das amostras que contém peróxidos e nitrato. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também receberá cópia desses resultados.

As amostras analisadas tiveram a validade expirada até no máximo 2 de maio. Mesmo assim, a Proteste orienta os consumidores que tenham os lotes analisados em casa a procurarem os serviços de Atendimento ao Consumidor das empresas e exigirem a substituição.

Outro lado

Em nota, a Friboi diz que suas carnes in natura são comercializadas livres de quaisquer conservantes e que não utiliza nitrato em nenhum momento do processo. "A marca coloca-se à disposição para enviar a lista oficial de compras da unidade citada, bem como de todas as outras plantas que fabricam produtos in natura, e, assim, comprovar que a substância não é adquirida por essas plantas", diz.

A empresa criticou o estudo e disse que a Proteste "não informou o laboratório que realizou a análise e o laudo apresentado não atende ao padrão estabelecido pela norma técnica da ABNT ISO/IEC 17025/2005 para emissão de resultados".

Em nota, a Ceratti, diz que respeita "todas as normas brasileiras e internacionais de produção e comercialização, priorizando sempre matérias-primas de alta qualidade". Diz ainda que desconhece as condições de realização dos testes, bem como, de seleção das amostras e que entrou em contato com a instituição e aguarda esclarecimentos sobre a análise.

"A formação dos peróxidos pode ser consequência de um processo de degradação natural e físico-química do produto. Para aprofundar a análise, é necessário verificar as condições apresentadas pelo produto no momento da coleta e do teste realizado, bem como, obter informações sobre a data de realização do mesmo", diz.

A nota acrescenta que a Ceratti está pesquisando os limites máximos para peróxidos em produtos desta categoria, "pois atualmente, existe pouca literatura que nos permita afirmar esses limites". A marca afirma que respeita seus clientes, fornecedores e consumidores, "trabalha há mais de 85 anos com produtos de alta qualidade e garante a integridade de todos os processos de manipulação e fabricação dos seus produtos."

A Frialto, em nota,  diz que não utiliza nitrato em nenhuma etapa de produção. "Destacamos ainda que para utilização desse tipo de substância (nitrato) dentro de uma indústria seria necessária a autorização do SIF – Serviço de Inspeção de Federal, serviço esse que está presente diariamente em nossa unidade."

A nota acrescenta que a Frialto não recebeu da Proteste metodologia de coleta, se a peça estava a vácuo ou exposta no setor de açougue, o que poderia ter causado uma contaminação secundaria por nitrato. Nem mesmo qual laboratório e metodologia utilizada para análise. A empresa diz que entrou em contato com a Associação e pediu o teste realizado e o método utilizado pelo laboratório.

"Por fim, apesar da Proteste dizer que se trata de uma segunda fase do estudo, observamos que eles, aparentemente, usaram o mesmo produto coletado na primeira fase, pois o tipo, lote e vencimento são os mesmos, sendo que esse produto coletado está fora do prazo de validade", diz.

Carne Fraca

Os resultados fazem parte da segunda fase do estudo com carnes bovinas, embutidos e cortes de frango. O objetivo é avaliar se os produtos comercializados em diversos estabelecimentos também apresentavam as inconformidades citadas pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca.

A Operação Carne Fraca foi deflagrada em março deste ano pela Polícia Federal. A principal denúncia referia-se a comercialização de carne adulterada no mercado interno e externo.

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