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Caso Isabella Nardoni: madrasta vai para o regime semiaberto

Jatobá deverá ser transferida de ala assim que a decisão for publicada. Na ala do semiaberto no Tremembé também está Suzane von Richtofen
Fábio Barbosa  |  17/07/2017 16:33
noticia Caso Isabella Nardoni: madrasta vai para o regime semiaberto
noticia Caso Isabella Nardoni: madrasta vai para o regime semiaberto

A Justiça de São Paulo decidiu, nesta segunda-feira, que Anna Carolina Jatobá, condenada pela morte da enteada Isabella Nardoni em 2008, terá progressão de regime e passará cumprir pena no semiaberto.

A decisão dá direito a Jatobá de deixar a penitenciária do Tremembé (SP), onde está presa desde 2008, cinco vezes ao ano para as saídas temporária, além de poder passar o dia fora da prisão para trabalhar e retornar à noite.

Jatobá deverá ser transferida de ala assim que a decisão for publicada. Na ala do semiaberto no Tremembé também está Suzane von Richtofen, condenada pela morte dos pais em 2002.

“Estou chocada, arrasada”, lamentou ao G1 Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, sobre a decisão da Justiça de autorizar a madrasta da sua filha a deixar o regime de prisão fechado e ir para o regime semiaberto.

Isabella com a mãe, Ana Carolina Oliveira:

Regime semiaberto

A progressão foi concedida pela juíza Sueli Zeraik, da 1º Vara de Execuções Criminais (VEC) de Taubaté. A decisão será encaminhada para a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ainda nesta segunda.

Após a notificação, Jatobá deverá ser transferida para a ala que abriga presas do semiaberto, onde está Suzane von Richtofen, condenada pela morte dos pais.

A expectativa é que a madrasta de Isabella deixe a prisão pela primeira vez em agosto, na saída temporária de Dia dos Pais.

Pedido

A progressão de regime foi um pedido da defesa de Jatobá, feito em abril deste ano. Nele, a defesa da presa alegava que ela já tinha direito ao benefício por ter cumprido o tempo mínimo exigido para mudar de regime e bom comportamento prisional.

No último mês, após receber o resultado de um exame criminológico favorável à progressão da detenta e documentos com detalhes de rotina dela em que constavam elogios dos diretores e funcionários da penitenciária, o Ministério Público foi favorável à concessão do semiaberto à Anna Carolina e encaminhou o processo para a decisão da juíza.

"Vale dizer que a gravidade do crime e suas consequências, por mais nefastas e repugnantes que sejam, não podem prevalecer", diz trecho do parecer do promotor Luiz Marcelo Negrini.

Planos

O parecer de uma equipe técnica, que produziu em junho laudos psicólogo e psiquiátrico, apontou, sobre o comportamento da detenta que 'a possibilidade de reincidência é nula'.

Aos especialistas, Jatobá afirmou ser inocente e disse desejar que a verdade sobre o caso apareça. Ela afirma ainda ter aprendido a ser paciente durante os nove anos em que esteve reclusa.

Questionada sobre seus projetos de vida, disse planejar após ter a liberdade definitiva buscar apoio dos familiares, manter o relacionamento com o marido Alexandre Nardoni - que também está preso em Tremembé -, fazer um curso de moda e abrir um ateliê de costura.

"Quero estar com meus filhos. Vou morar em São Paulo ou numa cidade do litoral, trabalhar e tentar viver minha vida. Gostaria que um dia minha vida pudesse voltar ao normal. Gostaria de desenvolver o meu lado espiritual e ajudar as pessoas", disse. Anna e Alexandre Nardoni têm dois filhos, de 10 e 12 anos.

De acordo com o psiquiatra que fez a avaliação, ela assimilou a gravidade do ocorrido, possui valores éticos e morais e é capaz de manter controle sobre sua agressividade e perspectiva de vida.

Agências

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