PUBLICIDADE
publicidade Câmara Municipal de Poço de José de Moura
PUBLICIDADE
publicidade Geral

R$ 2,8 bilhões circularam em contas de advogado suspeito de lesar 30 mil clientes

Maurício Dal'Agnol está solto e ninguém foi ressarcido. Reportagem tentou contato com a defesa dele, mas não teve retorno
Fábio Barbosa  |  09/04/2017 07:03
noticia R$ 2,8 bilhões circularam em contas de advogado suspeito de lesar 30 mil clientes
noticia R$ 2,8 bilhões circularam em contas de advogado suspeito de lesar 30 mil clientes

Cerca de R$ 2,8 bilhões circularam entre 2011 e 2015 nas contas bancárias do advogado Maurício Dal'Agnol, suspeito de aplicar um golpe que lesou cerca de 30 mil clientes, conforme aponta o resultado de uma perícia encomendada pela Polícia Federal. Dal'Agnol está solto e ninguém foi ressarcido.

Segundo investigações da Polícia Federal, o advogado entrava na Justiça em nome dos clientes contra a empresa de telefonia que, em 1996, comprou a antiga Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações (CRT). Eles tinham direito a ações da companhia, mas Dal’Agnol não repassava os valores aos clientes, ou repassava em parte.

Somente na Polícia Federal, tramitam mais de 330 inquéritos que cobram o ressarcimento de valores pelo advogado. "Passaram R$ 2,8 bilhões nas contas, nas centenas de contas que ele tinha. Então muito dinheiro passou e muito dinheiro sumiu também. Existem bens apreendidos, existe um processo cível onde todos os bens de Maurício Dal'Agnol estão com restrição judicial. Até as ações cíveis que são ganhas, não são pagas. E isso é decepcionante", diz o delegado da PF Mário Luiz Vieira.

A maioria dos processos pedindo ressarcimento ao advogado é analisada na Justiça estadual. As vítimas reclamam da demora nas sentenças. "Minha luta vem desde 2011, 2012, quando contratei outro advogado para receber esses valores e depois de quatro anos nada aconteceu. É muita morosidade da Justiça", desabafa a dona de casa Leda Garbin Sbruzzi, credora de R$ 65 mil do advogado.

A juíza Ana Cristina Frighetto Crossi atribui a demora aos recursos possibilitados ao advogado. "Todo e qualquer processo admite recurso. Nossa legislação é uma legislação que permite vários recursos, tanto no cível quanto no crime. Então essas questões de liberação de dinheiro só vão existir quando a verba estiver individualizada e certa e for devida. Então é por isso que tem que se ter cautela em todo processo", diz.

A reportagem da RBS TV tentou contato com a defesa de Maurício Dal'Agnol, mas não teve retorno.

Pelo menos R$ 20 milhões e parte do patrimônio do advogado seguem bloqueados pela Justiça, e o registro profissional dele foi suspenso.

Advogado Maurício Dal'Agnol deixa o presídio de Passo Fundo (Foto: Reprodução/RBS TV)

Operação Carmelina

O advogado Maurício Dal Agnol teve a prisão decretada na Operação Carmelina, deflagrada pela Polícia Federal no dia 21 de fevereiro, mas ficou foragido no exterior. No final de maio, obteve um habeas corpus e, no mês seguinte, se apresentou à Justiça de Passo Fundo, onde responde processo por apropriação indébita e formação de quadrilha. Em setembro, no entanto, foi preso após a PF suspeitar que ele havia articulado uma possível fuga.

Segundo a PF, um grupo de advogados e contadores, comandados por Dal'Agnol, procurava os clientes com a proposta de entrar com ações na Justiça contra empresas de telefonia fixa. Os clientes ganhavam a causa, mas os advogados repassavam a eles uma quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação. O esquema fez o advogado enriquecer rapidamente, diz a PF.

Ao cumprir mandados de busca na cidade do Norte do Rio Grande do Sul, a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do suspeito. Além da quantia, animais selvagens empalhados e munição foram achados em um fundo falso de uma parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas bancárias e imóveis.

A Operação Carmelina foi desencadeada em Passo Fundo e em Bento Gonçalves, na Serra. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia e de contabilidade e em uma residência. A operação foi batizada de Carmelina porque este era o nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu de câncer, e poderia ter custeado um tratamento eficaz com o dinheiro.

G1

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
publicidade Quatro Internas