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Aluno que matou colegas em escola terá internação provisória

Decisão foi da magistrada Mônica Cézar Moreno Senhorello. Menor, que matou dois colegas e feriu outros quatro, deve ficar internado por 45 dias
Fábio Barbosa  |  22/10/2017 08:54
noticia Aluno que matou colegas em escola terá internação provisória
noticia Aluno que matou colegas em escola terá internação provisória

A juíza plantonista Mônica Cézar Moreno Senhorello acatou recomendação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e determinou, neste sábado (21), a internação provisória do aluno que atirou contra colegas no Colégio Goiyases, em Goiânia. O adolescente, de 14 anos, que está apreendido na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), que matou dois estudantes e feriu outros quatro.

De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), o menor deverá se apresentar ao Juizado da Infância e Juventude na segunda-feira (23).

A recomendação foi feita pelo promotor de Justiça Cássio Sousa Lima, que ouviu o menino nesta tarde. Segundo ele, o intuito era proteger o adolescente, que é filho de militares.

Vítimas fatais:

"Eu tomei a medida de representar pela internação provisória dele por 45 dias até que termine o processo. Essa medida deve ser retocada de certos cuidados em virtude de ser filho de policiais militares para não colocar no meio de elementos perigosos que possam causar algumas represálias", disse o promotor à TV Anhanguera.

O promotor também acredita que o menor tenha planejado o crime e que efetuou os disparos porque era alvo de bullying no colégio . "Eu conversei com ele e ele falou que vinha sofrendo esse tipo de bullying e queria dar uma certa represália nos colegas dele", disse.

Lima destacou que o adolescente demonstrou arrependimento. A ele, o estudante contou como encontrou a arma, que pertence a sua mãe. "A arma estava bem escondida com chaves, gavetas trancadas, e ele vasculhou a casa até encontrar. Ele encontrou a chave e teve acesso a essa arma", afirmou.

O menor está uma cela separada, equipada com colchão, e que acomoda até quatro pessoas.

Atirador:

O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (20), no Conjunto Riviera. Além das mortes de João Vitor Gomes e João Pedro Calembo, ambos de 13 anos, outros quatros alunos, da mesma sala, foram baleados e estão internados.

Arma usada no crime:

O que se sabe até agora:

Veja a sequência dos fatos:

  • Colegas relatam que ouviram um barulho
  • Em seguida, os alunos viram o adolescente tirando a arma da mochila e atirando
  • Alunos correram para fora da sala de aula
  • O aluno descarregou um cartucho, carregou o segundo e deu um tiro, mas foi convencido pela coordenadora a travar a arma
  • Estudante foi levado para a biblioteca até a chegada dos policiais

Bullying

O coronel da Polícia Militar Anésio Barbosa da Cruz informou que o autor dos disparos era alvo de chacotas de colegas. “Ele estaria sofrendo bullying, se revoltou contra isso, pegou a arma em casa e efetuou os disparos”, disse.

Um aluno de 15 anos, que estava na sala no momento do tiroteio, também contou que o adolescente era vítima de piadas maldosas.

"Ele sofria bullying, o pessoal chamava ele de fedorento, pois não usa desodorante. No intervalo da aula, ele sacou a arma da mochila e começou a atirar. Ele não escolheu alvo. Aí todo mundo saiu correndo", relatou o estudante.

Enterros

Os corpos de João Pedro e João Vitor, mortos no atentado, foram enterrados neste sábado (21), em cemitérios de Goiânia.

O primeiro a ser enterrado foi João Pedro. O sepultamento ocorreu às 10h45 no cemitério Parque Memorial. Durante a cerimônia, a família fez orações e, por volta 9h, celebrou um culto em homenagem ao adolescente. O pai do menino disse que perdoa o atirador.

Já o corpo de João Vitor foi enterrado no Cemitério Jardim das Palmeiras, por volta das 11h20. Segundo colegas da vítima, ele e o atirador eram amigos e andavam juntos com frequência.

Os outros quatro baleados seguem internados.

O Globo

VEJA REPORTAGEM

MAIS DETALHES

João Pedro Calembo, 13, foi o primeiro a ser morto e foi apontado como desafeto do atirador, seu colega de turma, que foi apreendido. Segundo os familiares, João Pedro era bom aluno, atuante na igreja, carinhoso com os irmãos mais novos e queria ser engenheiro civil. Quando não estava na igreja ou na escola, estava jogando futebol ou videogame. "Ele era muito brincalhão, zoava com todos", contou uma colega.

"João Pedro é mesmo cristão. Um dia disse: 'pai, tenho um colega que sofre muito preconceito. Eu disse 'meu filho, você tem que orar por ele'", diz o publicitário Leonardo Calembo, 41, pai de João Pedro e dos dois irmãos dele, meninos de 6 e 8 anos.

O estudante sentava na carteira imediatamente atrás da do atirador, no fundo da classe. Foi o primeiro a ser morto. O pai da vítima nega a versão que o atirador e colegas de turma contaram à polícia, de que João Pedro seria desafeto do menino que efetuou ao menos 11 disparos contra os colegas de classe.

Para investigadores, o crime foi premeditado por causa do bullying que o atirador sofria na escola. Colegas disseram que ele era chamado de "fedorento" e relataram que chegou a receber um desodorante como provocação. A polícia informou que o atirador disse em depoimento que se inspirou em duas outras tragédias envolvendo atiradores em escolas – o massacre de Columbine, em 1999, nos EUA, e o de Realengo, em 2011, no Rio.

"Não acredito nessa história de desodorante. Não existe essa história de desafeto. Bullying hoje é o nome novo a uma brincadeira que se faz há tantos anos", diz o pai, presbítero da Igreja Batista Renascer. "Eu já perdoei desde o início. Foi uma fatalidade".

O velório foi realizado no Parque Memorial de Goiânia e o corpo foi enterrado no fim da manhã. Colegas do colégio estavam de uniforme. Uma adolescente de 13 anos relatou dificuldade para dormir. "Toda hora vinha a cena dele matando meus colegas. A cara que ele fez quando atirou não saiu da cabeça. Vai ser muito ruim chegar na sala, olhar para aquele canto e lembrar que ele matou amigos nossos". A arma do crime, uma pistola .40 da Polícia Militar, era usada pela mãe do menino, sargento da PM. O pai dele é major da instituição.

Amigo

O tiro que atingiu na cabeça outro colega, João Vitor Gomes, 13, pôs fim ao sonho dele de ser piloto de Formula 1 e abalou sua família. A vítima havia feito um trabalho da escola com o atirador na noite anterior, via internet.

Segundo o pai, o analista de sistemas Fabiano Fernandes, João Vitor era "inteligente, educado e sonhador". Fernandes e sua mulher, Katiusce, têm outros dois filhos, um menino de 10 anos - do sexto ano na mesma escola - e uma bebê de oito meses. João Vitor fazia aulas de inglês e violão e praticava natação.

Desolada, a mãe não quis conceder entrevista. O irmão de João Vitor chegou a dormir em uma sala de auxílio do cemitério, devido ao cansaço e sofrimento excessivos. Eles haviam se encontrado no recreio, poucas horas antes do crime, cometido no intervalo antes da última aula.

Como João Vitor é um dos poucos amigos do suspeito, a família acredita que ele foi atingido por um tiro aleatório, logo após o atirador atingir João Pedro, que sentava na carteira de trás. O corpo foi sepultado no Cemitério Jardim das Palmeiras no fim da manhã deste sábado. Outros quatro colegas atingidos permanecem hospitalizados.

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