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Casal é preso por matar grávida e retirar o bebê da barriga

Eles colocaram tranquilizante na bebida da vítima e a levaram para um matagal. A suspeita não podia engravidar e queria dar filho ao marido
Fábio Barbosa  |  22/10/2017 19:58
noticia Casal é preso por matar grávida e retirar o bebê da barriga
noticia Casal é preso por matar grávida e retirar o bebê da barriga

Um casal dopou e cortou a barriga de uma jovem grávida para retirar o bebê da barriga da mãe, no interior do Amazonas. O crime ocorreu na madrugada de hoje  (19) e chocou moradores do município São Sebastião do Uatumã, que tem 16 mil habitantes. A mulher presa disse que cometeu o crime porque queria um filho, segundo o delegado de Itapiranga, para onde o casal fugiu com a criança.

Karoline do Canto Silva, 20, foi dopada, assassinada e teve a barriga cortada para que Joelma Keila Santana da Silva, 22, e Alex da Silva Carvalho, 18, levassem o bebê, segundo informou o delegado de Itapiranga, João Cabral. A jovem estava grávida de oito meses.

De acordo com o delegado, o casal de amigos convidou Karoline para lanchar, na noite desta quarta-feira (18). Conforme o depoimento de Joelma, um sonífero foi colocado no suco da jovem grávida, que foi levada para uma matagal, onde ela foi morta.

“Fizeram um corte na barriga com uma faca. Abriram do começo ao fim com uma faca”, descreveu o delegado, informando, ainda, que o material usado no crime não foi encontrado.

“Moradores do local informaram que tinham visto ela saindo com esses dois e viram quando eles fugiram na lancha para Itapiranga, com a criança no colo”, afirmou o delegado.

A delegacia de São Sebastião entrou em contato com a polícia de Itapiranga, que prendeu os dois em flagrante. No momento da prisão, a criança já estava limpa e vestida.

A criança sofreu um pequeno corte na cabeça, provavelmente no momento da retirada do bebê, segundo o delegado. “Ela está recebendo atendimento no hospital e está sendo acompanhada pelo conselho tutelar, que aguarda a chegada da família. Mas as notícias que temos é que ela está bem.

Os dois suspeitos serão indiciados por homicídio qualificado, de acordo com a Polícia.

Depoimento

De acordo o delegado de Itapiranga, João Cabral, o pai de Karoline não foi prestar depoimento nesta quinta-feira (19) como estava previsto, pois estava muito abalado, segundo informações que recebeu da família. Marinete dos Santos do Canto, 26, tia da vítima, foi à delegacia, disse estar surpresa pelo fato e relatou não conhecer os suspeitos.

“A tia dela confirmou que ela tinha uma deficiência mental, falou que não sabe explicar o porquê do fato e disse que jamais imaginava que ia acontecer até porque a menina estava feliz com a gravidez. O bebê foi levado pelo Conselho Tutelar para o Hospital da cidade, o estado de saúde dele é estável e vai ser entregue a família quando sair do hospital”, explicou.

‘Fiquei feliz de poder ajudar’, diz PM que amamentou bebê retirado à força da barriga da mãe

Horas depois de ter sido retirado à força da barriga da mãe, o bebê de oito meses que ficou órfão após o parto forçado, na madrugada desta quinta-feira (19), conheceu um gesto de maternidade. A soldado Pâmela Graziela Serrão Sales, 29, da Polícia Militar (PM) de Itapiranga (a 227 quilômetros a leste de Manaus), foi a responsável pela primeira mamada do recém-nascido e a primeira referência de mãe para o bebê, que a PM ‘batizou’ de ‘Pietro’.

A soldado disse que recebeu, nos braços, o bebê e o levou para o Hospital Miguel Batista de Oliveira, em Itapiranga, para que o recém-nascido recebesse os primeiros atendimentos médicos desde que foi alvo do parto forçado e criminoso.  O caso aconteceu no município de São Sebastião do Uatumã (a 247 quilômetros a leste de Manaus).

Ao ver o bebê, a equipe médica disse que o menino precisava urgentemente ser alimentado. “Eu disse: Eu tenho leite! Eu posso fazer isso”, disse a soldado, acrescentando que ainda tinha produção de leite por ter um filho de 2 anos e 3 meses.

Ao amamentar o bebê, as vidas profissional e pessoal de Pâmela se entrelaçaram. “Fiquei confusa, porque eu sou mãe de três crianças e fiquei triste pela mãe e pelo bebê. Ao mesmo tempo, fiquei feliz de poder ajudar”, disse Pâmela, emocionada.

Enquanto amamentava, Pâmela disse que tentou imaginar o tamanho da dor que sentiu a mãe do menino. Karoline do Canto Silva, 20, foi dopada, assassinada e teve a barriga cortada para que Joelma Keila Santana da Silva, 22, e Alex da Silva Carvalho, 18, levassem o bebê, segundo informou o delegado de Itapiranga, João Cabral. A jovem estava grávida de oito meses.

“Quanta dor aquela mulher deve ter sentido. Deve ter sido horrível. Ao mesmo tempo, ouço as pessoas me chamando de ‘Tia Pam’”, disse a soldado ao relembrar das primeiras horas do dia.

A soldado acrescentou que, pelo fato ter acontecido em uma cidade pequena, onde muitos se conhecem, as notícias do homicídio e de que ela foi a primeira a amamentar o bebê se espalharam rapidamente. Ela disse que não está conseguindo acompanhar a quantidade notificações nas redes sociais que recebe pessoas que querem ajudar. Segundo a soldado, doações de leite e fraldas estão sendo levadas para a recepção do hospital.

Pâmela afirmou que, entre tristeza e alegria, também sentia raiva quando recordava de Joelma Keila, uma das suspeitas de ter convidado Karoline para lanchar, na noite de quarta-feira (18), e ter colocado um sonífero no suco da jovem grávida, que foi levada para um matagal, onde foi morta. “Ela (Joelma) alegou que o bebê era dela e que não tinha leite para amamentá-lo. Eu fiquei indignada”, disse.

No hospital, a soldado conseguiu ver com mais detalhes o corpo do bebê. Segundo ela, a equipe médica do hospital fez um curativo no umbigo do menino, aplicou glicemia nele e o limpou. O recém-nascido estava amarrado com um pano. Depois de passar horas com o menino, Pâmela disse que o ‘batizou’, informalmente, de ‘Pietro’.

“Era o nome que eu queria dar para o meu caçula”, brincou a soldado. À equipe médica do hospital, Pâmela disse ter se prontificado para ajudar no que precisasse. De acordo com ela, na tarde desta quinta-feira (19), familiares devem procurar o bebê no hospital. Nas primeiras horas, depois da morte da mãe do recém-nascido, o menino ficou sob os cuidados de Pâmela e do Conselho Tutelar de Itapiranga.

D24 AM

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