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Cássio revela mágoa com Aécio, diz que partido errou e que impeachment nunca foi a solução

Veja entrevista com o senador
Fábio Barbosa  |  12/11/2017 17:26
noticia Cássio revela mágoa com Aécio, diz que partido errou e que impeachment nunca foi a solução
noticia Cássio revela mágoa com Aécio, diz que partido errou e que impeachment nunca foi a solução

Advogado, político, articulador. Essas são algumas das funções exercidas por Cássio Rodrigues da Cunha Lima, ou apenas Cássio Cunha Lima. Um dos políticos mais influentes do Brasil é paraibano, natural da cidade de Campina Grande. O atual senador da república pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), foi prefeito da cidade por três vezes. Como deputado federal assumiu dois mandatos e também já foi governador da estado.

Na trajetória política Cássio coleciona vitórias, conquistas e escândalos. Em 2006, a cassação do mandato como governador repercutiu no país. Na acusação, a distribuição de 35 mil cheques para cidadãos de baixa renda. O fato aconteceu durante a campanha eleitoral.

Com o passar dos anos, o senador amadureceu politicamente transformando-se em uma personalidade referenciada na política brasileira.

Em entrevista exclusiva concedida ao Portal T5, Cássio abriu o jogo e falou sobre a destituição do senador Tasso Jereissati (conduzida por Aécio Neves), além de suas perspectivas políticas e os planos para 2018.

Portal T5 - Senador, em sua visão, como está o PSDB após Tasso ser destituído por Aécio Neves? Quais interferências o Palácio do Planalto tem nesta ação?

Cássio Cunha Lima – O senador Aécio Neves cometeu mais um erro. Na verdade, ele não poderia ter feito de forma nenhuma essa destituição contra o senador Tasso. O que na verdade vai favorecer a posição dele na disputa das eleições pelo partido. Tasso não é candidato dele mesmo, não é uma postulação de caráter pessoal, muito pelo contrário. Tasso representa um movimento de mudanças e transformações, de reencontro com o PSDB com sua trajetória de ética na política, de correção do trato da coisa pública. E é mais uma decepção que se tem em relação a postura do senado Aécio Neves. Nós vamos ficar muito vigilantes em relação a participação ou a uma eventual intervenção do governo na disputa interna do PSDB que será inconcebível, inaceitável. Até porque o argumento que foi usado por Aécio para afastar Tasso seria o da isonomia, do equilíbrio na disputa. O próprio Aécio não se lembrou disso quando cuidou de reconduzir e de prorrogar seu próprio mandato, além do mais foi o PSDB que inventou reeleição quando na reeleição do presidente e senador Fernando Henrique Cardoso. O argumento é frágil e pueril. É um argumento apenas que faz um jogo de cena dentro de uma disputa que está sendo posta no partido se o partido deve manter ou não o apoio ao presidente Michel Temer quando surgiram as denúncias do Ministério Público contra o presidente da república e essa denúncia foi votada em duas ocasiões na Câmara dos Deputados. O partido se mostrou dividido na primeira votação, e na segunda, a maioria da bancada na câmara votou pela abertura das investigações, ou seja, contra o presidente. O único deputado que o PSDB tem na Paraíba, o deputado Pedro Cunha Lima, nas duas ocasiões votou pela abertura das investigações e portanto contra o presidente Michel Temer. Na convenção Nacional, nós vamos deliberar sobre isso. A convenção é instância superior na deliberação do partido, esse tema será naturalmente discutido e debatido, lá, vamos deliberar sobre esta situação. Não vamos aceitar, claro, qualquer nível de intervenção do governo na decisão interna que cabe exclusivamente o PSDB.

Portal T5 - Uma parte do PSDB advoga ainda para continuar na base do governo Michel Temer e outra defende o desembarque do partido no governo. Você acredita que essa decisão do Aécio tem alguma coisa insuflada vindo do Palácio do Planalto?

Cássio Cunha Lima - É cedo pra fazer essa afirmação. Mas, as suspeitas são grandes. As desconfianças existem nessa direção. Não faz sentido pegar alguém que tem feito um trabalho correto, um trabalho sério e que tem uma trajetória respeitada no partido e sofrer um ato de violência como foi sua destituição. Então, vamos para a convenção. Vamos disputar todas essas questões na convenção partidária, nós vamos apresentar propostas. O senador Tasso repito, não é candidato dele próprio, ele representa um movimento do partido que defende mudanças no código de ética, mudanças no estatuto, adoção de critérios do acompanhamento permanente de cada filiado, principalmente daqueles que detém mandatos para que o partido possa corrigir os erros que foram praticados nos últimos temos. Na verdade, o sistema político brasileiro errou e errou muito nos últimos anos e esse sistema político precisa ser alterado. O PSDB pelo menos teve a virtude e a humildade de reconhecer esses erros. O PSDB foi o único partido até agora que pediu desculpas formais a população brasileira por esses erros do sistema político brasileiro. O PT, por exemplo, anda dizendo que não errou, que faria tudo de novo. Veja só, depois do escândalo do mensalão, depois do escândalo do petrolão, de todas as revelações que estão sendo apresentadas na investigação da Laja-Jato, o PT diz com a cara mais limpa do mundo que não errou, que não teve nada de errado e que faria tudo de novo. Isso é um absurdo. Então, o PSDB tem consciência de que o sistema político brasileiro ruiu, faliu e precisa ser restaurado porque não há solução fora da política. Não há solução fora da política. A solução será pela boa política e é a boa política que o senador Tasso sempre praticou e é com a boa política que o PSDB quer se encontrar. É esse movimento que estamos encabeçando.

Portal T5 - Senador, o senhor fala claramente de uma divisão no PSDB agravada pelo momento que o governo federal vive. E esses dois lados brigam, um para ficar, o outro para desembarcar do governo. O senhor acredita que, de certa forma, o PSDB foi usado no jogo do PMDB? Porque a principal bandeira que foi encampada pelo partido, o impeachment da presidenta Dilma, foi algo levado pelo PSDB e usurpado pelo PMDB. Eles se apropriam como se o PMDB fosse protagonista nessa ação quando na verdade não foi. Tem um fundo de traição nesse jogo?

Cássio Cunha Lima - O que tem é jogo de poder. Nitidamente é um jogo de poder. Eu, particularmente, nunca vi com maior simpatia o impeachment. Falei sobre isso várias vezes, que a melhor solução para o Brasil não seria o impeachment, mas, sim, a cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que através da cassação, junto com a eleição municipal nós pudéssemos ter a eleição direta de um novo presidente da república. Infelizmente, minha tese não prosperou. O impeachment avançou e terminou se consolidando, até porque tinha aparecido um crime que justificava o fato. O país pelo menos deixou de piorar. Tenho certeza que se a presidente Dilma continuasse na presidência o Brasil estaria pior de que se vive hoje. Até as próximas eleições, é necessário levar o Brasil com normalidade democrática para que de forma livre e maneira soberana, o nosso povo possa escolher o próximo presidente. O PSDB tem uma responsabilidade muito grande nesse processo, a partir, inclusive desse gesto de reconhecer que o sistema político brasileiro ruiu. Não é possível continuar fazendo política nos moldes anteriores. É preciso mudança e o senador Tasso Jereissati comanda esse movimento de mudança e transformação não apenas no PSDB, mas na política brasileira.

Portal T5 - O que o senhor acha da reforma trabalhista?

Cássio Cunha Lima - Quanto a reforma trabalhista, ela dará uma autonomia para as pessoas, e liberdade nas relações de trabalho. Acreditamos que haverá uma maior oferta de empregos que é o que a população precisa. Nós precisamos da retomada do desenvolvimento econômico do país. É uma legislação que se moderniza sem tirar os direitos do trabalhador. Foi feito um grande terrorismo por trás disso pelos seguimentos da esquerda, dos movimentos sindicais e não tem um só direito que tenha sido retirado. Todos os direitos do trabalhador estão garantidos e consagrados na constituição. Eu acredito que teremos um aquecimento nas ofertas de trabalho e isso será muito positivo para a sociedade e para o desenvolvimento da economia de forma geral.

Portal T5 – E sobre reforma da previdência?

Cássio Cunha Lima - Quanto a reforma da previdência, essa proposta que está aí não conta com meu voto por uma razão simples no que diz respeito ao trabalhador rural. No meu primeiro mandato como deputado, fui o responsável pela inclusão na constituição de duas mudanças importantíssimas na vida dos trabalhadores rurais. Foi Cássio Cunha Lima que garantiu o pagamento do salário mínimo para todos os trabalhadores rurais do Brasil. Na constituição de 88, os trabalhadores recebiam meio salário. É de minha autoria o projeto que reduziu a idade de aposentadoria do homem e da mulher do campo. Não vou destruir aquilo que construí. É preciso enfrentar os privilégios, é preciso enfrentar a camada mais forte da sociedade. Não é justo você mudar a aposentadoria dos mais pobres e humildes pra manter os privilégios da camada de cima da pirâmide social do Brasil. Minha opinião é de que nesse instante há uma grande dificuldade para se aprovar a reforma da previdência no país. Par mim, ela não passará.

É preciso enfrentar os privilégios, é preciso enfrentar a camada mais forte da sociedade. Não é justo você mudar a aposentadoria dos mais pobres e humildes pra manter os privilégios da camada de cima da pirâmide social do Brasil.

Portal T5 - Na Paraíba, em linhas gerais, o PSDB será protagonista nas eleições de 2018?

Cássio Cunha Lima - Quanto às eleições do ano que vem, eu, particularmente, tenho externado um ponto de vista que seria interessante dar a oportunidade a quem ainda não disputou a eleição para governador no caso específico dos prefeitos Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo. Tanto eu como Maranhão já tivemos chances e a imensa honra de governar o estado. Não estou eliminando minha candidatura, nem a de Maranhão. Mas, acho que devemos dar oportunidade para a renovação. Espero a definição dos nomes para apresentar propostas. Apresentaremos programas, projetos para enfrentar os grandes desafios da Paraíba.

Portal T5 - E sobre o governador Ricardo Coutinho?

Cássio Cunha Lima - É impossível imaginar, por exemplo, que o governo do estado continue, pelos próximos 4 anos aumentando impostos com a voracidade que tem feito. O governo do estado não para de meter a mão no bolso do consumidor. Ele sacrifica o comércio e muitas vezes inviabiliza a indústria, além do cidadão comum. Pode ter certeza que na parcela de aumento do gás, energia e combustível, parte desse aumento decorre dos aumentos de ICMS que o governo do estado praticou. A Cagepa já deu aumento de 70% nas contas de água. Então é preciso frear essas arrecadações porque isso gera desemprego que é um dos grandes problemas da Paraíba. Na saúde pública, o governo não consegue firmar parcerias com os municípios, não consegue dar uma resposta efetiva aos problemas graves que a população enfrenta na saúde. Segurança, nem se fala. Estamos vendo um descontrole na situação, é um caos. As pessoas perderam a tranquilidade. É inimaginável pensar que daqui a quatro anos, as pessoas continuem assim. Por fim, estamos vendo um retrocesso na educação. O governo está aumentando o orçamento na educação, mas não é para investir em alunos e professores. É para pagar organizações sociais, elevando o nível de suspeita nessa medida. A UEPB está em crise e o governo não consegue atingir as metas do IDEB, lamentável. A oposição terá propostas para apoiar o comércio, a indústria de deixar de aumentar os impostos. O governo do estado, repito, não para de meter a mão no bolso das pessoas.

T5

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