PUBLICIDADE
publicidade Câmara Municipal de Poço de José de Moura
PUBLICIDADE
publicidade Internas 3 banner Abaixo Menu

Índio tem as mãos decepadas no MA; confronto deixou ao menos 13 feridos

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos 13 foram feridos, dois deles tiveram as mãos decepadas e cinco foram baleados
Fábio Barbosa  |  01/05/2017 19:34
noticia Índio tem as mãos decepadas no MA; confronto deixou ao menos 13 feridos
noticia Índio tem as mãos decepadas no MA; confronto deixou ao menos 13 feridos

O indígena Aldeli Ribeiro teve as mãos decepadas com golpes de facão em um confronto ocorrido no domingo (30) no município de Viana, no Maranhão. De acordo com a CPT (Comissão Pastoral da Terra), ele também levou dois tiros --um na costela e outro na coluna-- e teve os joelhos cortados. Ribeiro pertence à etnia gamela e está internado em estado grave no hospital Djalma Marques, em São Luís, capital do Estado, junto com outros dois índios.

O governo do Maranhão trata o caso como confronto entre os indígenas e fazendeiros e os seguranças destes. A CPT e o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) falam que os índios foram atacados. A Secretaria de Estado de Segurança Pública abriu inquérito para investigar as circunstâncias.

A CPT afirmou que ao menos dez indígenas ficaram feridos. O governo diz que foram cinco índios feridos e duas pessoas do grupo dos fazendeiros.

"Foi na sorte que escapei", diz índio

Inaldo Gamela, outro indígena ferido, foi baleado de raspão na cabeça. Ele afirmou ao UOL que um grupo de 150 índios, incluindo mulheres e adolescentes, ocupou pacificamente uma fazenda para retomar a propriedade, que teria sido grilada décadas atrás. Ainda de acordo com ele, um grupo maior de fazendeiros e seguranças chegou armado ao local.

Índio Inaldo Gamela após alta do hospitalCercados, os indígenas teriam decidido recuar e abandonar a fazenda. Ainda com base na versão de Gamela, os fazendeiros, mesmo com o recuo do grupo, começaram a atirar e atacar com facões e pedaços de pau.

Inaldo disse que não percebeu quando levou o tiro e que, em determinado momento do confronto, sentiu tontura e caiu. "Fiquei zonzo e aí vi que estava sangrando. Tive a sensação de que não ia resistir. Foi na sorte que escapei", relatou. Um amigo o ajudou a sair do local. A bala não ficou alojada em sua cabeça, e ele teve alta hospitalar na manhã de hoje.

Segundo Inaldo, outros indígenas tiveram de fugir pela mata. Alguns dos índios feridos foram atendidos em municípios próximos a Viana. "O que aconteceu foi um massacre, com características de linchamento."

Governo diz que polícia evitou confronto maior

Inaldo declarou que a polícia maranhense foi avisada do ataque dos fazendeiros e nada fez. O governo do Maranhão informou que a Polícia Militar foi acionada para impedir a continuidade do confronto. "Após chegarem ao local, os policiais prestaram socorro às vítimas encaminhando-as para hospitais da região", afirmou a administração estadual em nota.

O governo não confirmou a informação de que um índio teve as mãos decepadas. Segundo a assessoria de imprensa estadual, ele teve fratura exposta, mas já foi operado.

"Equipes da Polícia Civil foram encaminhadas ao local do confronto. Elas se integraram aos policiais militares que já atuavam na área para conter novos confrontos", prossegue o texto do governo. A PM permanece no local com reforço do efetivo.

O Ministério da Justiça informou que vai averiguar "o ocorrido envolvendo pequenos agricultores e supostos indígenas". Minutos depois, o texto publicado no site do ministério foi editado e a palavra "supostos" foi retirada.

De acordo com com o Cimi, este foi o terceiro ataque aos gamelas em três anos. Inaldo afirmou que cerca de 2.000 pessoas distribuídas em povoados compõem a etnia gamela. O povo tem tentado retomar áreas que diz ter perdido para grileiros.

UOL

PUBLICIDADE