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Fernanda Staniscuaski investiga os percalços na carreira de mães cientistas

Em abril de 2021, a principal plataforma de currículos científicos do Brasil passou a incluir o período de licença maternidade. Qualquer cientista que tenha tirado a licença pode optar por incluir essa informação no Currículo Lattes. Antes disso, as pesquisadoras (e mães) ficavam com um “vazio” de produtividade durante o período em que estavam cuidando dos filhos recém-nascidos - o que podia passar uma má impressão.

Ter uma queda na produtividade, no sistema acadêmico atual, não é nada bom para um pesquisador. “Você precisa de dinheiro para fazer pesquisa, sem dinheiro você produz menos, e produzindo menos você não ganha dinheiro”, diz Fernanda Staniscuaski, bióloga pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mãe de três filhos. “É muito difícil sair desse ciclo vicioso”.

Fernanda sentiu isso na pele. Ela começou a carreira acadêmica na biologia molecular, estudando mecanismos de defesa das plantas Canavalia. Esse gênero de plantas produz uma proteína que age como inseticida, intoxicando as pragas que tentam se alimentar dela. A ideia é entender como esse mecanismo funciona e possivelmente transferir a proteína para outras plantas, criando transgênicos resistentes.

Esse foi o foco até o pós-doutorado, que ela fez na Universidade de Toronto, no Canadá. Lá, ela passou a estudar uma outra classe de proteínas vegetais: as aquaporinas. Elas transportam alguns nutrientes para dentro das células das plantas. Na soja, por exemplo, a aquaporina está envolvida no transporte de ureia, um dos principais fertilizantes usados nas plantações. Já no arroz, ela transporta o arsênio, que pode ser prejudicial à saúde humana.

Em 2013, Fernanda teve o primeiro filho. Ela continuou recebendo financiamento até 2014, mas não tinha como manter a mesma produção de artigos de antes da maternidade. Em 2015, os órgãos de pesquisa começaram a emitir pareceres dizendo que ela não estava produzindo o suficiente. E o ciclo começou.

“Eu nunca tinha me questionado sobre fazer pesquisa, mas a partir daí comecei a achar que a carreira de cientista não era para mim - o que não faz o menor sentido”, diz a pesquisadora.




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