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Novos fósseis sugerem que o Australopithecus sediba andava em duas pernas

O Australopithecus sediba foi descrito pela primeira vez em 2010 por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo. Na época, os paleontólogos envolvidos possuíam material fóssil de dois indivíduos diferentes, que foram encontrados nas cavernas de Malapa, na África do Sul.  Os pesquisadores chamaram os espécimes de Karabo e Issa, uma criança do sexo masculino e um adulto do sexo feminino. De acordo com a datação dos cientistas, ambos teriam vivido na Terra há mais ou menos dois milhões de anos. Mas aqui entra uma história curiosa: os fósseis encontrados em 2010, na verdade, haviam sido revelados por mineiros que estavam explodindo a caverna com dinamite. Os pesquisadores encontraram alguns dos ossos, mas outros ficaram presos nos blocos de pedra expelidos, que foram usados posteriormente para construir uma estrada. RelacionadasCiênciaCientistas podem ter encontrado vestígios de uma nova espécie de hominídeo5 jan 2021 - 10h01CiênciaDNA humano contém indícios de hominídeo extinto desconhecido21 jan 2019 - 16h01HistóriaFezes de 2 mil anos revelam extinção de bactérias da microbiota intestinal humana13 Maio 2021 - 19h05 Nos últimos dez anos, pesquisadores da Universidade de Nova York (EUA), Universidade de Witwatersrand (África do Sul) e de outras 15 instituições têm se concentrado em recuperar estes blocos e estudá-los, buscando por mais ossos de Karabo e Issa. Agora, eles finalmente encontraram. Em avaliações recentes, os cientistas se depararam com quatro vértebras da parte inferior das costas de Issa, além do osso sacro, que liga a coluna vertebral à pelve. Juntas, elas formam uma das lombares mais completas e preservadas de um hominídeo antigo já encontrada. Após encaixar as vértebras, a equipe percebeu que a coluna formava um "S" suave, uma característica vista em humanos. Isso ocorre pois o comportamento bípede - ou seja, o ato de andar sobre as duas pernas - faz com que a massa do corpo fique centrada sobre a pelve, levando a curvatura da coluna. Tudo isso leva a crer que o australopiteco era bípede ou se mantinha sobre as duas pernas na maior parte do tempo. O estudo completo foi publicado no periódico científico eLife.
–NYU & Wits University/Divulgação Estudos anteriores haviam sugerido que a espécie possuía uma coluna relativamente reta, similar a hominídeos mais primitivos. Porém, os novos fósseis sugerem que a coluna de Issa é a mais curvada de todos os Australopithecus. Os processos transversos de Issa, que servem como ponto de ligação entre músculos e ligamentos, são grandes e orientados para cima. Isso sugere uma musculatura forte do tronco, que pode ter sido utilizada para subir em árvores. Em resumo, os pesquisadores acreditam que o Australopithecus sediba andava como humano e se pendurava como macaco, sendo um intermediário entre os humanos modernos e neandertais, e os grandes macacos. Continua após a publicidade




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