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Centenário recebeu finais de Flamengo e Palmeiras com desfechos diferentes

Escolhido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para receber a final da Libertadores de 2021 entre Flamengo e Palmeiras, o mítico Estádio Centenário já foi palco de decisões envolvendo os dois clubes brasileiros do jogo deste sábado. O time rubro-negro tem melhores recordações do local, já que foi campeão lá em 1981, conquista que completa 40 anos nesta terça-feira. A equipe alviverde jogou duas finais no histórico estádio em Montevidéu, em 1961 e 1968, e ficou com o vice em ambas.



Um dos times com mais tradição na Libertadores, o Palmeiras, campeão da Taça Brasil em 1960, chegou à decisão em sua primeira participação no torneio. Com jogadores que se consagraram na história do clube, como Djalma Santos e Chinesinho, aquela equipe enfrentou na grande final sul-americana o tradicional Peñarol, que era o atual campeão. Na ida, no Centenário, os uruguaios venceram por 1 a 0, com gol do equatoriano Spencer. Uma semana mais tarde, no Pacaembu, os palmeirenses jogaram para forçar o terceiro jogo, mas empataram em 1 a 1 - gols de Sasía e Nardo - e ficaram sem a taça.

Em 1968, o rival foi o Estudiantes. Os argentinos venceram por 2 a 1 em La Plata com dois gols após os 40 minutos, e o Palmeiras ganhou o jogo seguinte por 3 a 1 no Pacaembu. Na partida de desempate, no Centenário, o time alviverde levou 2 a 0 e viu o troféu escapar novamente. Naquela época era comum a organização ajeitar um terceiro confronto em caso de igualdade nos dois primeiros jogos.

O Estadão de 17 de maio de 1968, dia seguinte à derrota palmeirense em Montevidéu, relatou que os "platinos" venceram "com calma" e que "só a técnica não bastou" ao Palmeiras, que tinha um time superior, com atletas talentosos, como o craque Ademir da Guia, e atribuiu o triunfo dos argentinos ao "preparo físico fantástico". Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-presidente do clube entre 2009 e 2011, assistiu das arquibancadas do estádio àquele confronto e diz que a condição física impressionante dos atletas do Estudiantes era fruto de substâncias proibidas.
 
 

Não tinha antidoping naquele tempo. Os atletas do Estudiantes estavam visivelmente dopados. O Madero, que era zagueiro e estudante de medicina, estava bem dopado

, conta ao Estadão Belluzzo, que viu o duelo com o pai e amigos. Na época, o economista tinha 25 anos e já dava aulas na Unicamp.

O Palmeiras era muito bom. É incrível que aquele time não conquistou nenhuma Libertadores. Até nos anos 1970. Poderíamos ter conquistado a Libertadores antes de 1999

, lamenta o ex-presidente. Foi ele o principal articulador do acordo com a WTorre para a construção do Allianz Parque.

Um outro fato curioso marcou aquela decisão continental de 1968. Um erro de estratégia do Palmeiras beneficiou o Estudiantes. Depois de uma vitória para cada lado, o local do terceiro confronto em campo neutro era decidido com votos de membros das duas equipes. A Confederação Sul-Americana ofereceu como opções Montevidéu, no Uruguai, e Santiago, no Chile.



Os argentinos, pela proximidade, naturalmente optaram pela capital uruguaia. Os jogadores e dirigentes do Palmeiras fizeram o mesmo e a decisão se mostrou um erro. O Estudiantes jogou com apoio maciço de seus torcedores e se sentiu em casa. Estiveram presentes no Centenário 45.580 pagantes, a grande maioria deles apoiadores do time da Argentina.

Houve uma discussão na época. Meu pai era diretor jurídico do clube. Teve uma controvérsia a respeito disso. Os dirigentes pensaram na facilidade para os torcedores irem a Montevidéu em relação a Santiago, mas acabaram facilitando a vida do Estudiantes

, recorda-se Belluzzo.

AGRESSÕES, SHOW DE ZICO E PRIMEIRO TÍTULO CONTINENTAL - O Flamengo de Zico e companhia ergueu seu primeiro troféu da Libertadores há quarenta anos ao bater o Cobreloa, do Chile, na decisão em três jogos. Os duelos ficaram marcados pela violência praticada pelos chilenos, que ameaçaram, intimidaram e agrediram os flamenguistas. O zagueiro Mario Soto foi apontado como o principal responsável pela rispidez em campo, com socos e pontapés.
 
 

A única maneira de lidar com aquela agressividade era continuar fazendo o que a equipe sabia fazer de melhor, que era continuar a praticar um excelente futebol para vencermos

, diz ao Estadão o ex-zagueiro Mozer. O ex-jogador, então com 21 anos, foi um dos que Soto tentou intimidar, mas, segundo ele, não conseguiu. "A minha determinação não deixava espaço para intimidações."

Os brasileiros responderam na bola e contaram com exibição de gala de Zico para levantar a taça.

Foi o jogo mais importante, a maior vitória da minha vida, nem o Mundial foi tão importante assim. Foi uma conquista muito sofrida

, definiu o ex-lateral Leandro.

No primeiro duelo, diante de mais de 100 mil flamenguistas no Maracanã, Zico fez grande partida e os dois gols da vitória por 2 a 1. Abriu o placar após assistência de Adílio, que fez o pivô e o deixou cara a cara com o goleiro. O segundo saiu aos 30, de pênalti. Merello descontou na etapa final.

Os chilenos venceram o segundo confronto em Santiago por 1 a 0 e forçaram o terceiro jogo em estádio neutro, o Centenário, no caso. O Flamengo jogou a finalíssima com Raul, Nei Dias, Marinho, Mozer, Júnior, Leandro, Andrade, Zico, Tita, Nunes (Anselmo), Adílio. E foi novamente o Galinho de Quintino que fez a diferença.

O camisa 10 marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 e deu ao Flamengo o título inédito da Libertadores. Ele abriu o placar ainda no primeiro tempo. Após bate-rebate na área, a bola caiu nos pés de Zico, que virou e mandou para as redes. O segundo veio na etapa final em cobrança de falta, próxima da meia-lua, sua especialidade. O goleiro nem se mexeu e viu a bola entrar no ângulo esquerdo.

Posso dizer que em cada posição eu tinha um craque. Era um time fantástico, que jogava por música

, disse em recente entrevista Paulo César Carpegiani, técnico daquele Flamengo campeão continental há quatro décadas.

Foi um título tão natural. As coisas foram acontecendo, ganhamos a confiança necessária em função da equipe que tínhamos. São coisas que acontecem que é até difícil entender. É complicado ter uma explicação exata para a formação desses grandes times

, complementou o treinador.





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