ESPORTES

A noite em que a torcida foi assistir à torcida



"O maior patrimônio do Cruzeiro é sua torcida". Essa foi a mensagem cunhada por nós, do Coletivo 1921, quando começamos a documentar histórias, memórias e personagens da Nação Azul, ainda em 2017, na produção de filmes sobre a maior torcida de Minas Gerais. 




Depois daquele nascedouro do Coletivo, ainda ganharíamos mais duas Copas do Brasil. Consolidaríamos, no ano seguinte, a verdade de sermos torcedores apaixonados por um clube multicampeão, como o Cruzeiro/Palestra.

Mas também não imaginávamos a trama que estava acontecendo por dentro das nossas próprias entranhas. Em 2019, o que nenhum adversário esportivo - e tampouco o ódio da elite econômica de Belo Horizonte afeita ao futebol - conseguiu perpetrar, uma organização criminosa instalada dentro do clube executou. Dirigentes, conselheiros, empresários e jogadores, todos eles, bandidos, destruíram o Time do Povo Mineiro.

Ou quase...

Restou um patrimônio. Inabalável. Inquebrável. "Incaível". Construído muito antes do dia 2 de janeiro de 1921. Afinal de contas, a Società Sportiva Palestra Italia, ao contrário das outras agremiações da capital mineira, não foi fundada por um grupelho da oligarquia para se tornar um time a ser adorado. O Cruzeiro/Palestra foi o sonho de uma torcida de operários, imigrantes, comerciantes e jogadores que queria ter um time para chamar de seu.

A torcida cruzeirense, os palestrinos, o maior patrimônio do Cruzeiro/Palestra, nasceu antes dele próprio. 

Ontem, dia 25 de novembro de 2021, pouco mais de 60.000 representantes dessa Nação Azul de 9 milhões, foram ao Mineirão celebrar a existência, o amor, o afeto, o orgulho de sua própria origem. Fomos às lágrimas nas arquibancadas. Voltamos a derramá-las quando deixamos o estádio em meio a milhares de sorrisos e abraços e lemos uma frase escrita pelo amigo Alex Araújo, de Pará de Minas:

A noite em que a torcida foi assistir à torcida.


No campo, o Time do Povo Mineiro voltará. Já dos corações, mais uma vez, a torcida cruzeirense provou que ele jamais saiu.

Obrigado por marcar nosso peito e nossa alma com as cinco estrelas, Cruzeiro.

Gustavo Nolasco/Coletivo 1921






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