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Covid-19 pode causar problemas no trato urinário, sugere novo estudo

Estranhos sintomas têm sido relatados por pacientes que passaram por uma infecção pelo coronavírus. A lista é grande e inclui queixas neurológicas, cardíacas e pulmonares. Agora, um novo estudo, conduzido no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), na capital paulista, aponta para possíveis consequências no trato urinário.
Diversas especialidades médicas estão avaliando pacientes de Covid-19 seis meses após a internação, e a urologia identificou uma alta prevalência de problemas urinários em homens e mulheres , conta a urologista Julia Souza, do grupo de disfunções miccionais no serviço de Urologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
Participaram da avaliação 255 adultos com diagnóstico confirmado de Covid-19 e que foram internados no HCFMUSP em 2020.
Por meio de questionários, observou-se que 88,4% dos participantes (88,4% dos homens e 90,6% das mulheres) relataram a presença de ao menos um sintoma urinário. O de maior prevalência foi a noctúria (62%) - quando o sono é interrompido pela vontade de fazer xixi.
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Os indivíduos também descreveram uma frequência miccional aumentada (50,2%), além de urgência para urinar (42%), esvaziamento incompleto da bexiga (39,2%), jato fraco (29,8%), intermitência (29,4%) e esforço miccional (20%).
Um dado interessante é que a gravidade da Covid-19 não interferiu no risco de ter sintomas urinários. Os pacientes de UTI e intubados tiveram ocorrências semelhantes às dos indivíduos com um quadro menos grave , analisa a médica.
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O estudo, liderado pelo professor Cristiano Gomes, será apresentado no Congresso Brasileiro de Urologia, que ocorrerá entre 12 e 15 de dezembro. "Vamos divulgar esses dados como um alerta a urologistas e clínicos gerais”, diz Julia.
Já para as pessoas que andam incomodadas com sintomas urinários, a médica indica que procurem um urologista para uma adequada avaliação e indicação de tratamento.
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A médica explica que um nova pesquisa está em andamento, dessa vez a partir de momento mais inicial da doença. É que esse primeiro trabalho, que será debatido no Congresso, avaliou os pacientes seis meses após a infecção.
Agora, estamos acompanhando os internados desde a fase aguda da Covid-19. Assim, poderemos colher mais dados sobre as mudanças no organismo entre um período e outro , esclarece a urologista.
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