GERAIS

A tentativa grega de recuperar as esculturas do Partenon dos britânicos

Guerras, colonização e escravidão. Na história universal, encontramos muitos relatos sobre obras de arte e outros bens valiosos que foram tomados de seus países de origem e/ou de seus proprietários.

Da tomada de minérios preciosos pelos colonizadores nos países da América Latina ao confisco de obras de artes pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, casos assim sempre foram tratados pelos países sequestradores como atos legítimos, já que respeitariam as leis vigentes da época.

Um caso que persiste até os dias atuais e é motivo de ruído diplomático entre os envolvidos são as esculturas gregas do Partenon em exibição no British Museum (BM), em Londres.

O roubo dos frisos do Partenon


Frisos teriam sido saqueados da Grécia no início do século XIX. (Fonte: Getty Images)

O Partenon é uma maravilhosa obra da humanidade, o templo foi construído em homenagem à deusa Atena na capital grega há mais de 2 mil anos. Os vestígios arqueológicos dele constantemente retornam ao debate público quando o tema é definir seus verdadeiros donos. Parte importante do templo, os frisos, foram levados da Grécia no século XIX por Thomas Bruce, o conde de Elgin, e ganharam, "em troca", a alcunha de mármores de Elgin.

O conjunto de peças levadas para a Inglaterra e, posteriormente, adquiridos pelos curadores do British Museum é composto de 15 painéis e 17 esculturas de mármore que originalmente decoravam o Partenon -- considerado pelos gregos como o principal patrimônio cultural do país.

Nos últimos 2 anos, o primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, tenta negociar o retorno dessas peças que, na Grécia, são consideradas roubadas pelo conde inglês. Após um pedido oficial, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson negou a devolução das peças, afirmando que entendia

os fortes sentimentos do povo grego em relação ao tema

, mas que as peças

foram legalmente adquiridas por Lorde Elgin sob as leis vigentes na época e são propriedade do Museu Britânico desde sua aquisição

.

Em entrevista ao periódico grego Ta Nea, Johnson assumiu pela primeira vez uma posição pública sobre o assunto desde que assumiu o cargo -- é importante frisar que os pedidos de devolução das peças são feitos de maneira constante desde a independência grega no século XIX, mais precisamente do ano de 1832. Acontece que a posição oficial do político britânico e dos curadores do British Museum vem sendo questionada por pesquisadores e especialistas em Arte.

A versão defendida pelo BM afirma que o conde Elgin recebeu um firman -- permissão concedida por servidor islâmico do governo no Império Otomano -- outorgando a ele as peças de mármore do Partenon, ou seja, houve uma permissão do Sultão para que Elgin imigrasse com as esculturas.

Uma disputa entre pesquisadores


(Fonte: Dreamstime/Reprodução)

No entanto, esse firman não teria sido preservado, restando apenas a tradução italiana de uma carta amigável escrita pelo general turco-otomano Kaimakam Pasha, e não do sultão, permitindo que Elgin fizesse moldes das esculturas sem mencionar a permissão para remoção dos mármores.

Em entrevista à TV estatal grega, a arqueóloga e pesquisadora Elena Korka, também diretora-geral honorária de Antiguidades da Universidade de Atenas, afirmou que a tradução italiana não apenas não autorizava a remoção das peças, como também não é um documento oficial turco-otomano com valor legal.

Sarian Panahi, pesquisador iraniano e um dos poucos estudiosos habilitados em leitura de textos turco-otomanos, é outra autoridade que afirma não existir nada que indique a existência de um firman, o que tornaria a remoção comandada pelo conde britânico um saque.

Essa é uma afirmação corroborada pelos pesquisadores turcos Zeynep Aygen e Orhan Sakin, que estudam há muito tempo documentos oficiais do Império Otomano e afirmam de forma enfática: esse documento pertencente ao British Museum talvez seja uma carta pessoal, informal, mas não uma licença de exportação.




COMENTÁRIOS







VEJA TAMBÉM