GERAIS

No século XIX, bailarinas poderiam morrer dançando balé

Emma Livry (1842-1863) era uma lenda de seu tempo. Com apenas 20 anos e uma das pupilas da notória bailarina Marie Taglioni (1804-1884), ela foi uma das últimas bailarinas da era do balé romântico, tornando-se uma das figuras mais emblemáticas de seu tempo -- principalmente pela maneira como morreu.

Era 15 de novembro de 1862 quando Livry ensaiava os passos do segundo ato da protagonista Fenella do espetáculo La Muette de Portici e seu tutu pegou fogo ao encostar em uma das muitas lâmpadas a gás alinhadas na beirada do palco.

A jovem francesa correu em chamas pelo palco três vezes antes de ser parada por bombeiros e outros dançarinos para que o fogo fosse apagado. Seu corpo ficou totalmente queimado. O rosto e os seios foram os únicos que não sofreram danos significantes, mas as coxas, a cintura, as costas, os ombros e os braços quase derreteram com o calor.

Em um ato desesperado e equivocado, Taglioni esfregou graxa de maquiagem nas feridas, achando que funcionaria como pomada. Não adiantou. Livry sofreu por meses enquanto era tratada, mas as feridas continuaram reabrindo. Da última vez, ela não aguentou e sucumbiu à septicemia, morrendo em 26 de julho de 1863 em Neuilly-sur-Seine, na França.

Livry estava longe de ser a única que sofreria do que foi chamado "holocausto de bailarinas".

O problema


(Fonte: Tidings of Yore/Reprodução)

A morte de Livry e de centenas de bailarinos e bailarinas poderia ter sido evitada. Em 1859, um decreto imperial em Paris havia estabelecido que os trajes de balé deveriam ser carteronizados, ou seja, mergulhados em um composto químico conhecido como alume para protegê-los de pegar fogo.

No entanto, isso tornava os figurinos desbotados, rígidos e limitava a mobilidade, portanto a maioria das bailarinas se opunha à ideia de utilizá-los. Inclusive, mesmo com todo o sofrimento que passou, Livry disse que não usaria saias à prova de fogo porque eram muito feias e nada práticas, preferindo se arriscar novamente do que vesti-las no palco.




COMENTÁRIOS







VEJA TAMBÉM