GERAIS

O mestre-cervejeiro escravo de Thomas Jefferson

Graças à pesquisa do americano Travis Rupp, antropólogo e "arqueólogo de cerveja", conseguimos, aqui no século 21, saber como era uma das bebidas que tanto impressionaram as visitas do presidente. Travis reproduziu uma cerveja de 1822, feita em Monticello. Inspirada nos pães de caqui, populares na época, a cerveja levava caqui, malte de trigo, farelo, lúpulo e levedura ingleses.

Conhecedor de bebidas, Thomas Jefferson escreveu muito sobre cerveja e tinha livros europeus a respeito do assunto. Era tão entusiasta que construiu uma cervejaria na fazenda. Mas não era dele a mente por trás desse néctar tão elogiado. O político tinha um mestre-cervejeiro talentoso, o escravo de nome Peter Hemings, um criado "quase da família": era filho bastardo do sogro de Jefferson com uma negra escravizada.

Numa recepção para 49 vencedores do Prêmio Nobel, o então presidente John Kennedy disse: Acredito que esta é a mais extraordinária reunião de talento e conhecimento humano que já foi reunida na Casa Branca - com a possível exceção de quando Thomas Jefferson jantava aqui sozinho .

Quando o assunto era escravidão, porém, esse político dos séculos 18 e 19 não tinha nada de iluminista. Pelo contrário, sua família tinha um longo histórico de abuso de escravas. Análises de DNA revelaram que o presidente manteve, por muitos anos, relações sexuais com Sally Hemings, negra de pele clara (resultado de outros estupros de negras da família por seus proprietários brancos), que era... irmã de seu mestre-cervejeiro. Peter seria cunhado de Thomas Jefferson se o político tivesse casado com sua amante - algo que, na época, era inconcebível. Mas foi tio de seis filhos de Sally com o político.




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