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6 obras controversas que chocaram o mundo da arte

Uma discussão que parece infinita envolve o conceito de arte. É comum que pessoas que estão fora do ambiente artístico fiquem estarrecidas ao olhar algumas obras -- normalmente as que parecem de simples execução -- e se questionem sobre a relevância daquilo.

A verdade é que o conceito de arte é complexo e nem sempre claro até para as pessoas que habitam esse universo. Há várias obras que, embora sejam bastante questionadas, foram importantes na redefinição de novos padrões e fronteiras no conceito de arte contemporânea. Neste texto, apresentamos a você seis obras controversas que impactaram o mundo artístico.

1. Porcos tatuados e um armário cheio de insetos: a exposição Art and China After 1989


(Fonte: The New York Times/Reprodução)

O Museu Guggenheim, em Nova York, recebeu em 2017 a exposição Art and China After 1989, que causou muita polêmica e pressão de grupos defensores dos animais. Isso porque, nela, foram apresentados dois vídeos considerados violentos e antiéticos -- um mostrava porcos tatuados copulando, e outro exibia pitbulls que se encaravam e rosnavam.

Além disso, a obra contava com um armário intitulado "Teatro do Mundo", em que insetos como lagartixas, baratas e gafanhotos viviam uma espécie de "luta" por sua sobrevivência. A pressão foi tão grande que o museu teve que retirar os vídeos e a instalação.

2. Domestikator, uma escultura "obscena" do holandês Joep van Lieshout


(Fonte: DW)

O artista Joep van Lieshout produziu uma escultura de 12 metros que mostrava uma figura humana vermelha que aparentemente tenta penetrar uma criatura de quatro patas. Trata-se de uma obra geométrica, selecionada para o Museu do Louvre, mas acabou rejeitada por ser "brutal demais". Posteriormente, a escultura foi para o acervo do Centro Pompidou, em Paris.

3. O urinol de Marcel Duchamp


(Fonte: Wikipedia)

É impossível falar de polêmicas artísticas sem lembrar de uma das obras mais famosas de todos os tempos. O urinol, de Marcel Duchamp, é um marco inegável nas formas pelas quais vemos a arte.

A obra, na verdade, é intitulada Fonte e foi criada pelo artista francês em 1917. Basicamente, Duchamp comprou um urinol branco e o assinou com um pseudônimo: "R. Mutt 1917". Essa instalação inusitada foi inscrita no Salão da Sociedade Nova-Iorquina de Artistas Independentes e foi rejeitada, mas não desclassificada, pois uma cláusula no evento dizia que todos os trabalhos inscritos pagos deveriam ser expostos.

A consequência é que a "obra" de Duchamp marcou tempo e popularizou uma discussão importante sobre o que significa arte. A reflexão trazida era sobre como um objeto comum e pouco estético, como um urinol, poderia ser considerado uma peça de arte caso o ambiente artístico o definisse como tal. A frase repetida por Marcel Duchamp deixa explícita esta intenção: 

será arte tudo o que eu disser que é arte

.

4. Os retratos de sangue de Marc Quinn



Em 1991, Marc Quinn, um artista visual britânico, criou aquilo que pode parecer macabro para alguns: a obra Self consiste na produção de autorretratos tridimensionais a partir do sangue dele mesmo.

A cada 5 anos, Quinn coleta 5 litros de seu sangue e o usa para preencher um molde translúcido e refrigerado, sob a forma de seu rosto. Já há 9 "retratos", que acompanham o envelhecimento dele, ou seja, a vida e a morte desse artista.

5. Damien Hirst e o tubarão conservado em formol


(Fonte: Artsper)

O nome do artista britânico Damien Hirst já é marcado pela proximidade com polêmicas. Suas obras milionárias -- que trazem em comum a temática da morte -- costumam gerar muito choque assim que são produzidas. Um dos materiais mais comuns no seu trabalho são corpos de animais.

Uma das obras mais conhecidas se chama The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living (A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo) e mostra um grande tubarão conservado em formol. Feita em 1991, a peça busca provocar no espectador sensações acerca da vida e da morte.

6. O "tubarão humano" de David Cerný


(Fonte: In Transit)

A obra de 2005 do artista tcheco David Cerný é claramente inspirada no tubarão de Damien Hirst. Enquanto a obra do artista inglês mostra um animal em um aquário gigante, parecendo vivo, a de Cerný é um aquário em que boia uma escultura do ditador do Iraque, Saddam Hussein, com mãos e pés amarrados.

Essa obra -- chamada de Shark -- causou todo tipo de rejeição. Há os que dizem que ela vitimiza o ditador cruel; outros defendem que ela só é violenta e agride gratuitamente quem a contempla.




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