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Humanos podem estar produzindo roupas há 120 mil anos, diz estudo

Em estudo publicado na última quinta-feira (16), uma equipe de pesquisadores relatou a descoberta do que pode ser a evidência mais antiga da produção de roupas pelo Homo sapiens. Os objetos foram encontrados na Caverna Contrebandiers, em Marrocos, e datam de 90 a 120 mil anos atrás.

Os objetos encontrados são 62 ossos que parecem ter sido transformados em ferramentas, semelhantes a algumas utilizadas hoje para trabalhos com couro. São objetos de extremidade larga e arredondada, parecidos com espátulas. Eles provavelmente foram formados a partir de costelas de animais.

As ferramentas seriam ideais para remover e preparar o couro e a pele de animais, sem perfurá-los, para a produção de vestimentas - ou até materiais para outras produções, como abrigos. Os pesquisadores não descartam a possibilidade de que os objetos tenham sido utilizados para outras atividades também.


Os cientistas acreditam que os primeiros humanos transformavam os ossos desta maneira, para usá-los como ferramentas.Jacopo Niccolò Cerasoni/Reprodução

Não se tem certeza sobre quando a produção e o uso de roupas pelos humanos começou, mas provavelmente o hábito de se vestir surgiu há mais de 120 mil anos - alguns pesquisadores já indicaram até 170 mil anos. As roupas em si dificilmente se preservam, então os cientistas recorrem à análise de possíveis ferramentas usadas na confecção.

Emilly Hallett, pesquisadora do Instituto Max Planck (Alemanha) e autora principal do estudo, disse que o clima há 120 mil anos era ameno, então as roupas daquela época poderiam servir tanto para proteção quanto para ornamentação, como possíveis expressões simbólicas.

A equipe também encontrou ossos de raposa, chacal e gato selvagem que não apresentavam formas naturais, mas eram brilhantes e possuíam ranhuras ou arranhões. Segundo o estudo, essas marcas de corte podem apontar a remoção da pele dos animais.


Max Planck Institute for the Science of Human History / Jacopo Niccolò Cerasoni/Reprodução

“Estou muito animada com as marcas de esfola [nos ossos], porque não vi esse padrão sendo descrito antes. Minha esperança é que os arqueólogos que trabalham em locais muito mais antigos também comecem a procurar esse padrão”, afirmou Emilly à CNN.


Caverna Contrebandiers, em Marrocos, onde foram feitas as descobertas.Contrebandiers Project/Reprodução

Os pesquisadores escrevem que as evidências encontradas demonstram o surgimento de uma cultura complexa - constituída, por exemplo, por formas de expressão simbólica e ornamentação pessoal - que incluiu o

uso de materiais múltiplos e diversos para a fabricação de ferramentas especializadas

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